BR004
Campinas e Várzeas do Rio Branco


Year of compilation: 2008

Site description
Essa área é composta pela várzea do rio Branco e pelas formações de campinas/campinaranas que se estendem desde a sua foz com o rio Negro, ao sul, até o conjunto de áreas protegidas do Complexo Caracaraí, ao norte. Juntas, as áreas de proteção integral desse complexo somam mais de 900 mil hectares. O Parque Nacional da Serra da Mocidade foi criado em terras doadas pelo Ministério do Exército ao IBAMA, ao passo que a criação do Parque Nacional do Viruá se deu em razão da baixa fertilidade do solo da região, que inviabiliza a instalação de assentamentos rurais. Toda a área caracteriza-se pela existência de planícies aluviais sazonalmente alagáveis da bacia do rio Branco e por extensões de terra firme assentada sobre rochas de origem pré-cambriana. A vegetação é bastante heterogênea em virtude da variação topográfica. Há áreas de floresta ombrófila densa, especialmente na porção noroeste da IBA, onde está localizado o P. N. da Serra da Mocidade, assim como zonas de transição e campinaranas florestadas ou gramíneo-lenhosas, sendo essas últimas as formações predominantes na região.

Key biodiversity
Em todo o Complexo Caracaraí já foram registradas mais de 300 espécies de aves e acreditase que mais de 400 possam habitar a região As várzeas preservadas do rio Branco e suas ilhas são importantes sítios para a conservação de espécies tipicamente associadas a esses ambientes, como é o caso de Stigmatura napensis (papa-moscas-dosertão), Synallaxis propinqua (joão-de-barriga-branca), Cercomacra carbonaria (chororó-do-rio-branco) e Myrmotherula klagesi (choquinha-do-tapajós) Cercomacra carbonaria ocorre em praticamente toda a extensão do rio Branco tendo na região o seu limite meridional de ocorrência. Já Myrmotherula klagesi está presente no extremo norte de sua distribuição, mas possui uma população numerosa na área Espécie normalmente associada a manguezais, Conirostrum bicolor (figuinha-do-mangue) ocorre aqui em florestas ribeirinhas ao longo do rio Branco As campinas abrigam elementos próprios, como Dolospingus fringilloides (papa-capim-de-coleira), Hemitriccus inornatus (maria-da-campina) e Myrmeciza disjuncta (formigueiro-de-yapacana), todas consideradas de distribuição restrita. Essa última, encontrada no Brasil primeiramente no Parque Nacional do Jaú, tem no P. N. do Viruá apenas a sua segunda área de ocorrência conhecida no país A Serra da Mocidade é ainda completamente desconhecida sob o ponto de vista ornitológico e apresenta grande potencial para a descoberta de novas espécies de aves.

Pressure/threats to key biodiversity
O processo de desmatamento na porção leste da área é evidente em imagens de satélite, especialmente próximo às sedes dos municípios de Rorainópolis e São Luiz, e junto às rodovias BR174 e BR210. Em ambos os lados dessas rodovias são abertas pequenas estradas paralelas, com a expansão humana estendendose mata adentro por mais de 20 km, criando um padrão de ocupação conhecido como “espinha de peixe”. As queimadas são freqüentes, principalmente em campinas e campinaranas. O restante da área ainda está bem preservado, especialmente as várzeas


Recommended citation
BirdLife International (2021) Important Bird Areas factsheet: Campinas e Várzeas do Rio Branco. Downloaded from http://www.birdlife.org on 02/12/2021.